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Argentina aprova acordo com a UE, mas Brasil deve ficar atento

Na noite de quinta-feira (12), a Câmara dos Deputados da Argentina aprovou o acordo comercial com a União Europeia, com um expressivo resultado de 203 votos a favor e apenas 42 contra. Quatro deputados optaram por se abster. Este resultado é notável, especialmente considerando que até mesmo o bloco opositor ao peronismo, tradicionalmente protecionista, se dividiu, com metade dos seus membros apoiando a abertura comercial. O próximo passo será a análise do Senado, que deve discutir o tema no dia 26, e tudo indica que a aprovação é iminente, fazendo da Argentina o primeiro país do Mercosul a ratificar o tratado integralmente, um passo crucial para sua implementação imediata.

O governo de Javier Milei tem como objetivo garantir que a Argentina tenha acesso prioritário às cotas de exportação de produtos agropecuários, como a carne, o que poderia oferecer uma vantagem competitiva em relação ao Brasil. Em Brasília, a Câmara dos Deputados só deve iniciar a discussão sobre a ratificação no dia 24, o que coloca o Brasil em uma posição de atraso em relação à Argentina. Ao enviar o acordo ao Congresso argentino, o Executivo pediu que fosse tratado em sessões extraordinárias para acelerar sua aprovação, evidenciando a estratégia do país em se posicionar à frente dos outros membros do bloco.

Embora o Parlamento Europeu tenha encaminhado o tratado para análise do Tribunal de Justiça da União Europeia, um processo que pode durar até dois anos, a Comissão Europeia pode implementar o capítulo comercial de forma provisória, avançando com a implementação enquanto aguarda o parecer jurídico. O acordo entre o Mercosul e a União Europeia, assinado após 25 anos de negociações, promete criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo e possui uma importância geopolítica significativa, permitindo uma aliança mais forte entre a América do Sul e a Europa diante da polarização entre os Estados Unidos e a China.

Fonte: G1

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