Uma auditoria realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU) identificou indícios de sobrepreço no contrato de R$ 171,9 milhões firmado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para a reconstrução da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, que liga Tocantins ao Maranhão. A diferença no valor pode chegar a R$ 20,4 milhões, levantando preocupações sobre a gestão dos recursos públicos. A nova estrutura, localizada na BR-226, foi entregue em 22 de dezembro de 2025, um ano após o desabamento que resultou na morte de 14 pessoas. A obra foi financiada pelo Novo PAC e contratada sem licitação, o que levanta questionamentos sobre a transparência e a eficiência do processo. Segundo a CGU, o valor estimado para a obra poderia ser de R$ 154,1 milhões, cerca de R$ 17,8 milhões inferior ao contrato original. Após a assinatura de um aditivo dois dias após a entrega, o custo total subiu para R$ 174,6 milhões. O relatório da CGU, concluído em novembro, apontou falhas na metodologia de formação de preços e na pesquisa de mercado, sugerindo que os custos podem ter sido superestimados. Em comparação, a auditoria citou a licitação da ponte da BR-349, entre Alagoas e Sergipe, que apresentou um desconto de cerca de 24% em relação ao orçamento estimado. A CGU também indicou possíveis conflitos entre os pagamentos por itens unitários e o regime de empreitada previsto na Lei de Licitações. A ponte, construída em 1960, desabou em meio a um transporte de substâncias perigosas, e documentos anteriores do Dnit já alertavam sobre problemas estruturais. O Dnit, quando consultado, declarou que o caso foi encaminhado à área técnica para análise.
Fonte: Oeste






