Os brasileiros enfrentarão novamente preços altos na hora de adquirir chocolate para a Páscoa. De acordo com dados do IBGE, a prévia da inflação de fevereiro apontou uma alta acumulada de 26% nos preços do chocolate em barra e bombons nos últimos 12 meses. Embora as cotações do cacau tenham registrado queda no campo, os preços abusivos refletem as compras feitas anteriormente, quando o cacau atingiu recordes de alta no mercado internacional, conforme explica Lucca Bezzon, analista da StoneX. Recentemente, o governo brasileiro suspendeu a importação de cacau da Costa do Marfim, o maior produtor mundial e principal fornecedor do Brasil, mas essa decisão não deve impactar a disponibilidade de amêndoas no país, já que a demanda da indústria está em baixa. A maior parte do abastecimento brasileiro vem da produção nacional, com importações ocorrendo de forma sazonal. O especialista Carlos Cogo ressalta que, se necessário, o Brasil pode recorrer ao Equador, que possui uma boa safra. Embora os preços pagos aos agricultores tenham caído, a indústria de chocolate tem aproveitado para maximizar seus lucros, priorizando a recuperação de margens antes de repassar qualquer redução ao consumidor. Assim, a expectativa é que os preços no supermercado comecem a normalizar apenas a partir do segundo semestre, caso os preços do cacau se mantenham baixos. A alta nos preços do chocolate também é atribuída a uma diminuição drástica na colheita de cacau em 2024, provocada por condições climáticas adversas e doenças. Essa escassez fez com que os preços no Brasil subissem mais rapidamente do que os internacionais, especialmente com a competição por cacau limitado por parte de mercados mais ricos. Protestos entre produtores de cacau na Bahia têm ocorrido devido aos baixos preços pagos, levando o governo a suspender a importação do produto da Costa do Marfim, visando proteger a cultura cacaueira brasileira e garantir a qualidade da produção nacional.
Fonte: G1









