O recente conflito entre os Estados Unidos e o Irã levou a uma escalada nas cotações internacionais do petróleo, que alcançou o valor de US$ 80 por barril, o maior desde janeiro de 2025. Essa situação gera preocupação no Brasil, onde a pressão sobre o aumento das tarifas dos combustíveis pode atrasar o ciclo de queda da taxa de juros. Apesar disso, especialistas afirmam que não há risco de desabastecimento no país. A Petrobras ainda não se manifestou oficialmente sobre o impacto dessa alta, mas é esperado que os novos preços internacionais influenciem suas decisões de reajuste, especialmente em tempos de incerteza.
A exportação de petróleo é uma das principais fontes de receita da Petrobras, e o mercado reagiu positivamente, com as ações da empresa subindo 4,63% na B3, chegando a R$ 44,71. Analistas indicam que o fechamento do Estreito de Hormuz, controlado pelo Irã, pode influenciar ainda mais os preços, uma vez que a maior parte do petróleo produzido na região é destinado a países asiáticos, como China e Índia, que consomem cerca de 20% da produção global.
Marcus D’elia, sócio da Leggio Consultoria, afirma que a volatilidade nas cotações continuará, mas a oferta global de petróleo deve conter o preço do barril. Ele sugere que um conflito prolongado pode levar o preço a oscilar entre US$ 80 e US$ 100 temporariamente, pois os principais importadores do Oriente Médio possuem estoques suficientes para manter a demanda por até 200 dias.
Analistas do Scotiabank ressaltam que, embora a alta nos preços possa aumentar as receitas da exportação de petróleo e valorizar o real, ela também trará pressões inflacionárias que podem dificultar o esperado corte nas taxas de juros pelo Banco Central. O presidente da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis, Sérgio Araújo, afirma que o Brasil não depende do Estreito de Hormuz para seu abastecimento, pois a maior parte do diesel importado provém dos Estados Unidos e da Rússia. Araújo garante que não há risco de suprimento e que a Petrobras pode redirecionar suas rotas de importação, minimizando impactos negativos em sua operação.
Fonte: Oeste












