A crescente tensão no Estreito de Ormuz levou o governo chinês a intensificar suas pressões sobre o Irã. Autoridades de Pequim comunicaram a Teerã que ações contra navios de petróleo e gás natural liquefeito que transitam pela região não são desejáveis, assim como ataques a centros estratégicos de exportação, especialmente em relação ao Catar. Essa informação foi divulgada pela Bloomberg, citando executivos de empresas estatais do setor de gás.
A preocupação da China é dupla: enquanto é o principal destino do petróleo iraniano, que oferece um suporte financeiro ao regime, a China também depende fortemente do fluxo energético que passa pelo Golfo Pérsico e atravessa Ormuz. Um bloqueio nessa área impactaria diretamente seu abastecimento de energia.
O Catar, por sua vez, é um ator crucial, respondendo por cerca de um quinto da produção mundial de gás natural liquefeito e quase um terço das importações chinesas desse recurso. A consultoria Kpler revelou que a maior parte das cargas de gás natural liquefeito do Catar é destinada à Ásia.
A instabilidade na região tem pressionado o mercado, com a Índia limitando o consumo de gás natural e outros países asiáticos buscando contratos alternativos em meio à incerteza. Recentemente, o terminal de Ras Laffan, o maior exportador mundial de gás natural liquefeito, suspendeu suas atividades após um ataque com drone atribuído ao Irã, marcando a primeira paralisação total em quase 30 anos.
Embora representantes de Japão, Taiwan, Bangladesh e Paquistão tenham afirmado que as entregas programadas para este mês, em sua maioria já realizadas, minimizam o risco imediato, eles também consideram a ampliação de fornecedores caso o conflito continue. O movimento de petroleiros na região foi reduzido após bombardeios realizados pelos EUA e Israel e uma resposta iraniana. Apesar de declarações de Teerã, o Comando Central americano assegurou que a passagem marítima não foi formalmente fechada.
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, expressou ao chanceler iraniano Abbas Araghchi que Pequim apoia medidas de segurança nacional, mas que é importante considerar as preocupações de seus vizinhos. Os analistas acreditam que, embora o impacto imediato na economia chinesa seja administrável, um aumento nos preços do petróleo pode levar a uma elevação da inflação.
Fonte: Oeste












