O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), foi alvo de severas críticas após manifestar-se contra o vazamento de mensagens do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em postagem nas redes sociais, Gilmar afirmou que a exposição de conversas privadas é uma grave violação do direito à intimidade, além de uma barbaridade institucional que transgride as leis e a Constituição. Ele invocou a necessidade de proteger a intimidade feminina e sugeriu uma revisão da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
Entre os críticos, Deltan Dallagnol, ex-procurador da República, destacou a hipocrisia do ministro, afirmando que ele usou mensagens hackeadas durante a Lava Jato para enfraquecer a operação, enquanto agora se opõe ao vazamento de conversas que envolvem um juiz ajudando um criminoso. A diferença fundamental, segundo Deltan, é que as mensagens da Lava Jato foram obtidas de forma ilícita, enquanto as de Vorcaro foram periciadas e obtidas pela Polícia Federal.
O antropólogo Flávio Gordon também questionou a postura de Gilmar, considerando-a uma tentativa de desviar a atenção dos problemas que afetam a Suprema Corte. Para ele, a defesa da intimidade feminina é desonesta, e a verdadeira preocupação é manter o poder.
O advogado Emerson Grigollette corrigiu Gilmar, esclarecendo que a LGPD não se aplica a dados utilizados para investigações criminais e atividades jornalísticas. Ele destacou que a lei é clara ao excluir essas situações, e portanto, os casos que envolvem indícios de crimes graves não têm amparo na LGPD.
Adicionalmente, o advogado André Marsiglia sugeriu que a postura de Gilmar pode indicar uma intenção do STF de anular a operação em torno do Banco Master, assim como ocorreu com a Lava Jato. Por fim, internautas lembraram que a Lei Orgânica da Magistratura proíbe magistrados de se manifestarem sobre processos pendentes, pedindo imparcialidade de Gilmar em suas declarações.
Fonte: Oeste











