A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Bula Fria nas primeiras horas desta quinta-feira, 2 de novembro. A operação, que envolve a colaboração da Anvisa, do Ministério Público Federal e da Receita Federal, visa desmantelar uma organização criminosa atuando no mercado negro de medicamentos de alta complexidade utilizados no tratamento do câncer. Os agentes federais estão cumprindo quatro mandados de busca e apreensão em diversos municípios, incluindo Aparecida de Goiânia (GO), Ribeirão Preto (SP), Cravinhos (SP) e na capital paulista.
O cerne da investigação gira em torno da introdução clandestina de medicamentos sem registro sanitário no Brasil. O grupo criminoso focava em substâncias de alto valor, como o Keytruda (pembrolizumabe), essencial para o tratamento de tumores. Durante o andamento da operação, os policiais descobriram que os envolvidos ignoravam protocolos de segurança fundamentais, realizando o transporte e armazenamento dos produtos sem refrigeração, o que compromete a eficácia dos medicamentos e coloca em risco a saúde pública.
As ações judiciais contra os envolvidos abrangem uma série de delitos graves, incluindo contrabando e comercialização de medicamentos falsificados ou adulterados. O esquema também operava com lavagem de capitais e fraudes tributárias. As penalidades para esses crimes podem ultrapassar 20 anos de prisão, evidenciando a gravidade das infrações cometidas.
Um dos aspectos mais preocupantes relatados pela PF é a inadequação no armazenamento dos medicamentos. A falta de monitoramento térmico, exigido pelos fabricantes, pode levar à deterioração dos produtos, tornando-os ineficazes no combate ao câncer. A PF destaca que o consumo desses medicamentos sem procedência confiável pode causar danos irreparáveis, enganando cidadãos em situações de extrema vulnerabilidade. Com o término das buscas, os investigadores têm como objetivo identificar todos os beneficiários dessa estrutura criminosa que lucra com a dor alheia.
Fonte: Oeste







