O Brasil, ao ampliar a licença-paternidade de cinco para 20 dias até 2029, inicia um debate crucial sobre as desigualdades de gênero no mercado de trabalho. Essa mudança, que também se aplica a trabalhadores informais, busca transformar a percepção de que o cuidado é uma responsabilidade exclusiva das mulheres. Especialistas, como Dhafyni Mendes, cofundadora do Todas Group, argumentam que a ampliação da licença é um passo significativo para alterar as dinâmicas que perpetuam os vieses de gênero nas contratações e promoções. Enquanto as empresas ainda projetam o afastamento da mãe como um custo previsível, a nova legislação pretende equilibrar essa dinâmica, reconhecendo que tanto homens quanto mulheres devem ter direitos iguais à licença. No entanto, a realidade ainda demonstra que a maternidade é vista como um ônus, o que resulta em desigualdade na força de trabalho. Com apenas 26,5% das mulheres em cargos de alta liderança e uma diferença salarial média de 78,6% em relação aos homens, o Brasil ainda enfrenta grandes desafios. A nova lei, embora avance, ainda é considerada tímida por especialistas, que ressaltam a necessidade de políticas de licença parental compartilhada para que o cuidado não recaia apenas sobre as mulheres. Além disso, práticas internas nas empresas, como planejamento de carreira e suporte ao retorno ao trabalho, são essenciais para garantir a permanência das mulheres no mercado após a maternidade. A ampliação da licença-paternidade é um passo, mas a mudança estrutural necessária para garantir igualdade efetiva no ambiente de trabalho ainda está longe de ser alcançada.
Fonte: G1












