Uma pesquisa realizada pela seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) revela um forte descontentamento entre os advogados em relação à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Quase metade dos entrevistados, 47,7%, classificou a atuação da Corte como ‘muito negativa’, enquanto apenas 3,7% a consideraram ‘muito positiva’. Esses dados foram divulgados na abertura de um encontro que discutiu o funcionamento dos tribunais e a confiança no sistema judiciário, o que demonstra uma preocupação crescente com a legitimidade e a eficácia do STF.
Além disso, 64,1% dos advogados entrevistados defendem a implementação de mandatos fixos de oito anos para os ministros do STF, uma mudança que pode trazer maior responsabilidade e previsibilidade às decisões da corte. O levantamento, que contou com a participação de 12,7 mil profissionais entre dezembro de 2025 e março de 2026, também revelou que 81,9% dos advogados desejam mudanças na forma de escolha dos magistrados, atualmente feita exclusivamente pelo presidente da República.
A pesquisa destacou ainda a percepção de morosidade como um ‘problema gravíssimo’ para 55,6% dos advogados. A dificuldade de acesso a juízes e promotores também foi considerada um obstáculo significativo, com 28,3% dos participantes apontando isso como uma questão crítica. O presidente da OAB-SP, Leonardo Sica, enfatizou que a falta de acesso à Justiça compromete não apenas o sistema judicial, mas também a democracia.
A crise que atravessa o STF, especialmente após indícios de envolvimento de ministros com questões controversas, como a investigação sobre o Banco Master, aumenta a desconfiança pública na corte. Especialistas afirmam que a solução para a crise deve partir do próprio STF, que precisa demonstrar integridade e transparência em suas ações. Essa situação reforça a urgência de um debate sobre a estrutura e funcionamento do Judiciário no Brasil.
Fonte: Oeste







