As instituições brasileiras se assemelham a frutas podres que, apesar da deterioração, permanecem firmes em seus ramos. A diferença entre a queda e o estado de apodrecimento é notável: enquanto o colapso resulta na perda total da forma, a degradação mantém a aparência externa enquanto o conteúdo se deteriora internamente. No atual governo, liderado por Lula e Alexandre de Moraes, essa degradação se torna evidente. O episódio recente no Supremo Tribunal Federal (STF), que envolveu a discussão sobre o mandato-tampão no Rio de Janeiro, ilustra de forma clara essa putrefação institucional. Ministros como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes demonstram uma indiferença alarmante à sua condição, assumindo papéis que vão além de suas funções judiciais e se tornando censores morais da política fluminense. Essa transgressão não é surpreendente para aqueles que conhecem a promiscuidade entre o poder e o crime no Brasil. Há uma diferença fundamental entre o papel de um juiz, que deve aplicar a lei, e o de um orador, que impõe sua própria moralidade. Quando magistrados se comportam como tribunos, o tribunal se transforma em um palco, onde a verdadeira justiça se dissolve em encenações vazias. Esse moralismo, que deveria ser um pilar da justiça, acaba servindo como uma cortina de fumaça para uma transformação mais profunda e preocupante: a diluição dos limites legais. O que era exceção se torna rotina, e a lei se transforma em um instrumento de vontade pessoal. A situação é ainda mais alarmante quando consideramos que aqueles que deveriam ser os guardiões da lei se veem como pedagogos morais. A ironia dessa postura é obscena, pois a mesma voz que denuncia a corrupção na política é proveniente de um ambiente saturado por interesses escusos. O que se observa, portanto, não é uma crise, mas uma morbidez institucional crônica, onde o funcionamento do sistema se dá sem um propósito claro. A convicção de pureza entre os que aplicam a lei é perigosa; quando a justiça se acredita acima de tudo, o resultado é uma deterioração moral e ética que cheira mal.
Fonte: Oeste







