Produtores de goiaba no interior do Rio Grande do Sul estão enfrentando uma crise sem precedentes, resultando no descarte de toneladas da fruta em um cenário de alta produtividade. Apesar de uma das melhores safras dos últimos anos, a elevada produção levou as empresas compradoras a restringirem ou até suspenderem a aquisição da goiaba, alegando incapacidade de absorver o volume disponível no mercado. Essa situação crítica tem gerado prejuízos significativos para os agricultores, que não encontram alternativas viáveis para escoar sua produção e se veem obrigados a descartar suas colheitas devido à falta de estrutura de armazenamento adequada. A história ganhou visibilidade através da produtora Simone Back e seu marido, Sidnei Rauber, da comunidade de Arroio Feliz, que relataram as dificuldades enfrentadas. Em 2024, enchentes devastaram a região, provocando perdas nas lavouras e dificultando a recuperação nos anos seguintes, resultando em uma safra mediana em 2025. Agora, em 2026, as indústrias responsáveis pelo processamento da fruta, como a produção de polpa, suco e doces, estão sobrecarregadas e operam com capacidade fixa, não conseguindo atender à demanda concentrada. A simultaneidade das colheitas entre os produtores e a falta de infraestrutura, como câmaras frigoríficas, agravam ainda mais a situação. As goiabas, altamente perecíveis, amadurecem rapidamente, o que impede seu armazenamento prolongado. Sem acesso a canais alternativos de venda, como exportação, os agricultores se tornam reféns de um mercado que não consegue absorver a oferta, arcando com as consequências de um sistema falido.
Fonte: Oeste











