Um novo relatório das agências de alimentação e meteorologia da Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que o calor extremo está colocando os sistemas agroalimentares em risco, afetando a subsistência e a saúde de mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM) destacam que ondas de calor estão se tornando mais frequentes e intensas, impactando negativamente a agricultura, a pecuária, a pesca e as florestas. Kaveh Zahedi, chefe do escritório de mudanças climáticas da FAO, ressalta que o calor extremo está mudando drasticamente a forma como agricultores, pescadores e silvicultores operam, afetando até mesmo a possibilidade de continuar seus trabalhos. Os dados climáticos recentes indicam que o aquecimento global está acelerando, com 2025 sendo um dos anos mais quentes já registrados, resultando em eventos climáticos extremos cada vez mais comuns. O calor extremo não apenas intensifica secas e incêndios florestais, mas também reduz drasticamente a produtividade das colheitas, especialmente quando as temperaturas excedem 30 graus Celsius. Um exemplo alarmante é o Marrocos, que enfrentou seis anos de seca seguidos de ondas de calor recordes, levando a uma queda de mais de 40% na produção de cereais. O relatório também aponta que as ondas de calor marinhas estão se tornando mais frequentes, o que compromete os estoques de peixes. A FAO e a OMM enfatizam que respostas fragmentadas não são eficazes e pedem uma governança mais robusta dos riscos climáticos, além de sistemas meteorológicos de alerta para ajudar os agricultores e pescadores a se adaptarem. Contudo, a adaptação sozinha não é suficiente; uma ação coordenada e ambiciosa para combater a mudança climática é a única solução duradoura para enfrentar as crescentes ameaças do calor extremo.
Fonte: G1







