O Wayback Machine, uma ferramenta vital do Internet Archive, tem sido essencial para a preservação da memória da internet por 30 anos, permitindo que jornalistas, pesquisadores e historiadores acessem conteúdos que foram alterados ou excluídos. No entanto, a plataforma enfrentou uma ameaça significativa, proveniente de veículos de comunicação que, irônicamente, utilizam suas funcionalidades. Uma pesquisa da Nieman Foundation for Journalism revelou que pelo menos 241 portais de notícias, incluindo grandes nomes como The Guardian, New York Times e USA Today, bloquearam o acesso do Wayback Machine aos seus conteúdos. Esses bloqueios são motivados pelo receio de que empresas de inteligência artificial, como OpenAI e Google, utilizem os artigos jornalísticos arquivados sem autorização e sem compensação financeira, infringindo direitos autorais. O porta-voz do New York Times, Graham James, expressou preocupação com o uso não autorizado de seu conteúdo, afirmando que isso prejudica diretamente o jornal. Além disso, o acesso excessivo por robôs de busca tem sobrecarregado os servidores do archive.org, comprometendo sua operação. A Electronic Frontier Foundation comparou essa situação a um jornal que proíbe bibliotecas de manter cópias de suas publicações. Mais de 100 jornalistas assinaram uma petição em apoio ao Internet Archive, alertando que sem a preservação digital, a história jornalística recente pode ser perdida. O diretor do Wayback Machine, Mark Graham, reconheceu que o bloqueio de conteúdos públicos prejudica a compreensão da sociedade sobre os acontecimentos do mundo. Especialistas sugerem que um diálogo claro entre editores e a criação de um status jurídico especial para os arquivos da web são essenciais para resolver essa crise. A questão da preservação da história digital é crítica e não deve ser negligenciada.
Fonte: G1







