A transição de poder na Hungria, com a ascensão de Péter Magyar, vai além de uma simples mudança na liderança. O novo primeiro-ministro herda um Estado profundamente influenciado por Viktor Orbán, que moldou as estruturas do país ao longo de anos, criando um ambiente de ‘despotismo velado’. A tarefa de Magyar será desmantelar essa estrutura sem causar um colapso administrativo, o que requer habilidade política excepcional. Um dos principais obstáculos será a existência de fundações públicas que controlam ativos essenciais, como universidades e parques industriais, com conselhos formados por ideólogos do antigo regime. Mesmo com uma maioria parlamentar, Magyar deverá enfrentar uma resistência burocrática significativa que pode paralisar investimentos e atrapalhar suas iniciativas. Essa limpeza institucional não é apenas uma promessa de campanha, mas uma necessidade para a sobrevivência fiscal do governo. A Hungria também enfrenta desafios externos, especialmente em relação à Rússia, da qual é dependente em termos de infraestrutura, como a usina nuclear de Paks II e contratos com a Gazprom. A perda do apoio russo no Conselho Europeu representa um desafio geopolítico que pode ser explorado pela inteligência russa. Além disso, a relação com a China se torna uma armadilha, pois Magyar deve equilibrar a necessidade de investimentos chineses com as diretrizes de desrisco de Bruxelas. Por fim, a gestão das expectativas da população, que foi moldada por 16 anos de uma retórica nacionalista, será crucial. Magyar precisa apresentar resultados econômicos rapidamente para evitar que o Fidesz capitalize sobre um possível ressentimento. O futuro da Hungria dependerá da habilidade de Magyar em promover um orgulho nacional sem a necessidade de inimigos externos. O ano de 2026 será decisivo: se Magyar for bem-sucedido, Budapeste poderá se reafirmar como um símbolo de liberdade, mas se falhar, a tese de Orbán sobre a incapacidade do sistema liberal poderá se concretizar.
Fonte: Oeste










