O Brasil inicia a aplicação provisória do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia nesta sexta-feira (1º), após mais de 20 anos de negociações. Com a implementação gradual, o acordo já traz efeitos imediatos nas exportações brasileiras, permitindo que mais de 80% dos produtos enviados ao bloco europeu tenham tarifa de importação zerada nesta etapa inicial. Isso representa um marco positivo para as empresas brasileiras, que agora têm acesso ampliado ao mercado europeu. O agronegócio, especialmente voltado para exportação, é o principal beneficiado, com destaque para produtos como carnes de aves e suína, óleos vegetais, açúcar, etanol e café não torrado. Contudo, a competitividade não é uniforme. Enquanto o Centro-Oeste e partes do Sul se beneficiam, setores que dependem fortemente do mercado interno podem enfrentar desafios significativos.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) observa que, embora o Brasil seja o maior beneficiado, a expectativa de aumento no Produto Interno Bruto (PIB) é limitada, entre 0,3% e 0,5% até 2040. A indústria exportadora também terá ganhos imediatos, com a eliminação de tarifas para cerca de 93% dos bens industriais. No entanto, setores menos competitivos, como a agricultura familiar e pequenos produtores, podem ser severamente impactados pela concorrência com produtos europeus, que frequentemente são subsidiados. A adaptação a novas demandas será crucial para a sobrevivência desses segmentos no mercado doméstico. Portanto, o acordo, apesar de trazer oportunidades, também exige uma resposta estratégica e investimentos em modernização e competitividade para setores que enfrentam riscos.
Fonte: G1






