O acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul começa a valer no Brasil nesta sexta-feira (1°), trazendo novas oportunidades e desafios para o agronegócio brasileiro. O acordo, que visa eliminar as tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a UE adquire do Mercosul, é um passo importante para fortalecer as exportações brasileiras no mercado europeu. A redução das tarifas será gradual, com prazos variando de quatro a dez anos, dependendo do produto.
Entre os produtos que obterão a tarifa zero estão frutas, sucos, peixes e café solúvel. Os exportadores de frutas, como a uva, estão entre os que mais devem se beneficiar, uma vez que a tarifa de 11% será eliminada imediatamente. Para o café solúvel, a taxa de importação de 9% começará a cair anualmente até zerar em 2030, o que pode tornar o café brasileiro mais competitivo na Europa.
Entretanto, as carnes enfrentam um potencial limitado de aumento nas exportações devido a cotas que condicionam a redução de tarifas, além de regras que protegem os pecuaristas europeus. A nova cota para carne bovina permitirá que o Brasil exporte 10 mil toneladas anuais com tarifa zerada, mas preocupa-se com o apetite do mercado para aumentar as exportações.
Além disso, as salvaguardas implementadas pela UE podem restringir os benefícios do acordo, permitindo a suspensão temporária das vantagens tarifárias se um setor agrícola local for prejudicado. Tais medidas trazem incertezas, já que a UE pode investigar e penalizar as importações de produtos considerados sensíveis.
O acordo entre a UE e o Mercosul, que se arrasta desde os anos 90, representa uma oportunidade significativa para o Brasil, com potencial para fortalecer as relações comerciais e aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro no cenário internacional.
Fonte: G1






