O Brasil enfrenta uma grave crise de endividamento, amplificada pelo crescente consumo por impulso nas compras online. O uso de aplicativos e o parcelamento no cartão de crédito se tornaram as principais fontes de dívidas no país, com 80% das aquisições virtuais realizadas via celulares. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a compulsão por compras atinge 8% dos consumidores globalmente, refletindo um problema que se agrava no Brasil. Camila Nunes, que lida com a oniomania, compartilha sua experiência de ter acumulado R$ 240 mil em dívidas, resultado da facilidade de crédito e da incessante tentação das promoções online. Especialistas alertam que a prática de parcelar a compra pode dar uma falsa sensação de economia, desviando a atenção do valor total e levando ao acúmulo de dívidas. O cartão de crédito rotativo, por exemplo, atingiu R$ 109,65 bilhões no primeiro trimestre deste ano, com taxas de juros alarmantes de 428,3% ao ano. A psicóloga Tatiana Filomensky destaca que a busca por tratamento para compulsão por compras nunca foi tão alta, mas o estigma em torno do tema dificulta a ajuda. A cultura de consumo rápido, impulsionada por influenciadores e varejistas, normaliza o ato de comprar como uma forma de terapia, exacerbando o problema. Estratégias de marketing, como promoções relâmpago e a introdução de crédito fácil nas plataformas de vendas, criam um ambiente propício para decisões impulsivas, sem reflexão adequada sobre as consequências financeiras. Assim, a combinação de crédito acessível e a incessante pressão por consumo resultam em um ciclo vicioso de endividamento, que prejudica a saúde financeira dos brasileiros.
Fonte: G1










