O Brasil enfrenta uma significativa redução no número de empresas que oferecem licença-maternidade estendida, conforme revela um levantamento exclusivo da Receita Federal. O Programa Empresa Cidadã, que permitia a ampliação da licença-maternidade de 120 para 180 dias, viu o número de participantes cair de 30.545 em 2024 para apenas 8.862 em 2025, representando uma impressionante queda de cerca de 71%. Essa diminuição se dá em meio a uma auditoria que resultou na exclusão de mais de 22 mil empresas por irregularidades, revelando uma preocupante tendência de desinteresse em oferecer benefícios que favoreçam a maternidade. Além disso, mais de 380 mil mulheres foram demitidas após retornarem de suas licenças-maternidade nos últimos cinco anos, conforme dados do eSocial. Essa estatística alarmante inclui 383.737 dispensas sem justa causa e 265.515 pedidos de demissão. Essa realidade evidencia a falta de políticas eficazes para a retenção da mão de obra feminina, que continua a ser discriminada em um ambiente de trabalho que não oferece suporte adequado. Especialistas apontam que a descontinuidade no emprego após a licença pode ser um indicativo de discriminação, uma vez que muitas empresas não implementam ações que incentivem o compartilhamento das responsabilidades parentais. A legislação brasileira assegura direitos importantes às mulheres gestantes, mas a realidade no mercado de trabalho ainda é desafiadora e repleta de desigualdades, o que demanda uma reflexão sobre a necessidade de uma cultura empresarial mais inclusiva e protetiva em relação às trabalhadoras.
Fonte: G1








