A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito que investiga o banqueiro Daniel Vorcaro, que teria utilizado uma rede de fundos vinculados ao Banco Master, além de contar com a intermediação de seu próprio advogado e um procurador municipal, para adquirir ações do Banco de Brasília (BRB). Segundo informações reveladas pela coluna de Camila Bomfim no portal g1, o esquema financeiro foi considerado complexo pelos investigadores, envolvendo sucessivas transações entre diferentes fundos e pessoas físicas. O foco da investigação é verificar a suspeita de gestão fraudulenta na administração anterior do BRB e entender a razão para a adoção de um modelo de compra pulverizado, em vez de uma aquisição direta no mercado.
Documentos apontam que um dos fundos utilizados foi o Delta, que adquiriu ações do BRB e as revendia a Daniel Monteiro, advogado de Vorcaro. Para concretizar a compra, Monteiro teria contratado um empréstimo da empresa Cartos, que também está sob investigação da PF. Outro fundo mencionado é o Borneo, que vendeu parte de suas ações do BRB para o mesmo advogado, novamente utilizando crédito da Cartos, enquanto uma outra parte foi vendida ao fundo Celeno, também gerido pelo Master.
A auditoria ainda revelou que Vorcaro utilizou o procurador municipal Daniel de Faria Jeronimo Leite para adquirir ações do BRB, com recursos obtidos através de uma operação de crédito com a empresa Qista, ligada à Reag. O fundo Asterope, administrado pelo Master, também negociou ações com o fundo Albali, de Mauricio Quadrado, ex-sócio do Master.
A PF investiga se as operações resultaram em efetivos desembolsos financeiros ou se apenas promoveram a circulação de valores já existentes entre fundos e empresas de crédito associadas a Vorcaro, Quadrado e Mansur, caracterizando um modelo de “operações circulares”. As aquisições foram comunicadas ao Banco Central em abril do ano passado, após o anúncio da tentativa do BRB de adquirir o Master.
Os investigadores notaram a coincidência entre o calendário das operações e o anúncio feito em março de 2025 sobre a intenção do BRB de adquirir 58% do Master. Com essas compras, Vorcaro teria conseguido cerca de 5% do capital do BRB, podendo chegar a aproximadamente 12%, tornando-se um acionista minoritário relevante. A defesa de Vorcaro alegou que a compra das ações foi realizada dentro das normas de mercado, com a devida aprovação do Banco Central. O BRB, por sua vez, afirmou que a auditoria encontrou “achados relevantes” e que está adotando medidas para proteger seus interesses.
Fonte: Oeste












