No dia 13 de maio, o Brasil celebra 138 anos da assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no país. Um estudo recente da Caixa Econômica Federal, que analisa 158 cadernetas de poupança de pessoas escravizadas, revela que a busca pela liberdade muitas vezes foi uma luta financeira, onde a liberdade foi conquistada real a real. Este levantamento responde a uma solicitação do Ministério Público Federal, que buscava entender o destino das poupanças de escravizados. As cadernetas, datadas entre 1861 e 1888, documentam a trajetória de muitos que, ao longo dos anos, economizaram para comprar sua própria alforria. O decreto nº 5.594 de 1874 foi um marco, permitindo que escravizados abrissem contas de poupança sem a autorização de seus senhores, protegendo assim o valor acumulado para a compra da liberdade. Os casos apresentados no estudo mostram um planejamento cuidadoso, onde indivíduos como Theobaldo e Custódia economizaram significativas quantias para alcançar seus objetivos de emancipação. Além disso, as histórias de solidariedade familiar são evidentes, como a de Izabel Viegas Muniz, que transferiu seus fundos para beneficiar seu filho ainda escravizado. No entanto, o estudo enfrenta críticas de especialistas que apontam falhas metodológicas e limitações geográficas, já que a maioria das cadernetas analisadas é da província de Mato Grosso, o que pode não representar o fenômeno nacional. A investigação continua, buscando entender como os valores abandonados foram tratados pela Caixa e se há mecanismos para devolução após a morte dos titulares. O debate sobre reparações relacionadas à escravidão está se intensificando globalmente, mas o Brasil ainda não implementou políticas estruturadas para abordar essa questão, o que levanta a necessidade de ações efetivas para reparar injustiças históricas.
Fonte: G1



