A tradição de consumir bacalhau na Sexta-Feira Santa, muito comum entre as famílias católicas brasileiras, tem raízes profundas na influência portuguesa. O padre Eugênio Ferreira de Lima levanta uma questão pertinente: “Por que escolher um peixe mais caro como o bacalhau durante a quaresma?” Em tempos de inflação e crise econômica, essa pergunta se torna ainda mais relevante. A história do bacalhau na Semana Santa não é simples e envolve fatores culturais e religiosos. Especialistas apontam que a prática tem suas origens na colonização portuguesa, que trouxe o costume ao Brasil. O bacalhau, por ser um peixe de longa conservação, tornou-se uma opção viável em um período sem refrigeração. A prática do jejum, que começou no início do cristianismo, também influencia essa tradição. O historiador André Leonardo Chevitarese destaca que a abstinência de carne vermelha está ligada a questões teológicas e sacramentais, refletindo sobre o sacrifício de Jesus. Além disso, a permissão do consumo de peixe durante o jejum se relaciona com a simbologia cristã. O bacalhau ganhou destaque no Brasil especialmente após a chegada da corte portuguesa em 1808, sendo incorporado à culinária local. A prática se consolidou ao longo do tempo, não apenas como uma observância religiosa, mas também como uma tradição cultural que perpassa gerações. Com a ascensão do capitalismo, o bacalhau se transformou em um produto comercializado amplamente, refletindo o gosto dos brasileiros por essa iguaria. Assim, o bacalhau, que começou como uma necessidade religiosa, tornou-se uma verdadeira tradição cultural no Brasil, servindo como um exemplo de como as práticas religiosas podem se entrelaçar com a economia e a cultura popular.
Fonte: G1










