Após um período de crescimento nas exportações, a indústria automobilística brasileira enfrenta desafios em 2026 devido à queda na demanda da Argentina, que sempre foi o principal destino dos veículos brasileiros. Nos primeiros dois meses deste ano, as exportações para a Argentina caíram de 15,6 mil para 14,4 mil veículos, representando uma redução de 7,5%. Essa diminuição é ainda mais significativa considerando que, em 2025, a Argentina absorveu 59% dos veículos exportados pelo Brasil, totalizando 302 mil unidades.
A consultoria Abeceb destacou que as importações argentinas de produtos brasileiros, especialmente no setor automotivo, registraram uma queda geral de 26,5% em fevereiro, a maior desde julho de 2024. O segmento automotivo sofreu uma retração de 74% nesta queda, com os caminhões apresentando a maior diminuição, de 64,3%, seguidos por comerciais leves com uma redução de 51,4%. As vendas de automóveis caíram 43,6% e as importações de peças recuaram 30,9%.
Esse cenário negativo reflete a instabilidade econômica da Argentina e as incertezas em relação à capacidade do governo de Javier Milei de controlar a inflação e honrar a dívida externa. A produção de veículos no Brasil também foi afetada, com uma queda de 8,9% em comparação aos dois primeiros meses de 2025, totalizando 338 mil veículos. Embora o mercado interno tenha apresentado uma leve queda de 0,1% nas vendas, a presença de produtos importados, especialmente de marcas chinesas, continua a crescer. Além disso, o programa Move Brasil, que oferece condições de financiamento mais favoráveis, não conseguiu evitar a queda nas vendas de caminhões, que recuaram 28,7%. As tensões no Oriente Médio também complicam a situação, pressionando os preços do diesel e do frete.
Fonte: G1











