O recente aumento do preço do diesel, motivado pela instabilidade decorrente da guerra no Irã, já começa a afetar significativamente os custos de transporte no Brasil, refletindo diretamente nos preços pagos pelos consumidores. De acordo com levantamento realizado pela associação que representa o setor de transporte de cargas e logística, o frete já apresenta uma elevação média de cerca de 10%. Com o combustível mais caro, as empresas não têm outra opção a não ser repassar esses custos para os clientes, e em algumas regiões, esse aumento pode alcançar até 50%. O diesel, que representa até metade dos custos operacionais de transporte, provoca um impacto imediato nos valores do frete. Um exemplo é a transportadora localizada em Guarulhos, na Grande São Paulo, onde o custo do frete aumentou em 12%. As reações dos clientes não tardaram a aparecer, com algumas reclamações em relação ao aumento dos preços. Luigi Rosolen, diretor da West Cargo, destacou que a volatilidade do mercado está influenciando esses reajustes. A Associação Nacional de Transportes de Cargas e Logística (NTC&Logística) confirmou que a média de correção do frete está em torno de 10%, enfatizando que essa elevação precisa ser absorvida pelos clientes. O professor de economia do Insper, Otto Nogami, ressalta que a dependência do transporte rodoviário no Brasil, que representa 60% do transporte de cargas, amplifica a situação. No setor agrícola, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já cancelou contratos de frete devido ao aumento no preço do combustível e está avaliando outros casos individualmente para garantir o transporte de grãos e evitar prejuízos no abastecimento. A Conab também informou que suas ações visam assegurar a continuidade do programa de venda em balcão, que beneficia pequenos produtores. Por sua vez, a Petrobras declarou que todas as suas refinarias estão operando em capacidade máxima, assegurando que todo o combustível produzido está sendo entregue ao mercado e que as entregas de março foram antecipadas, superando em até 15% os volumes previamente acordados com as distribuidoras, reafirmando seu compromisso com o abastecimento.
Fonte: G1












