O Banco de Brasília (BRB) anunciou a venda de aproximadamente R$ 5 bilhões em ativos de alta qualidade como uma estratégia para conter a fuga de capitais, após a liquidação do Banco Master e a operação Compliance Zero, que resultou na saída do ex-presidente Paulo Henrique Costa por suspeitas de irregularidades. Esta medida visa não apenas enfrentar os saques, mas também restaurar a liquidez do banco, que enfrenta uma crise de confiança no mercado financeiro. De acordo com fontes ligadas à instituição, apesar da situação, o BRB possui uma carteira sólida e ativos com alta liquidez.
Atualmente, o banco está em negociações para a venda de quase R$ 1 bilhão em créditos a Estados e municípios, que possuem garantias do Tesouro, para instituições financeiras como Itaú e Bradesco. Essa operação pode gerar cerca de R$ 730 milhões em valor presente, com a autorização do Tesouro já concedida, aguardando apenas a troca das titularidades.
Simultaneamente, o BRB busca vender ativos adquiridos do Banco Master, embora haja incertezas sobre a qualidade desses papéis. O novo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, esteve em São Paulo em reuniões com instituições tanto públicas quanto privadas para discutir soluções.
Entre as alternativas para melhorar a liquidez do banco, estão previstas propostas de capitalização a serem apresentadas ao Banco Central, incluindo aportes do Tesouro do Distrito Federal, a criação de um fundo imobiliário com ativos do governo local e um empréstimo com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Essas medidas necessitam da aprovação da Câmara Legislativa do DF.
Os R$ 5 bilhões obtidos foram provenientes da venda de carteiras de crédito consignado e antecipação de saques do FGTS, que são considerados ativos de baixo risco e alta liquidez. Além disso, o BRB enfrentou desafios significativos após a compra original de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes do Banco Master, que posteriormente foram substituídos por cerca de R$ 10 bilhões em outros ativos, além de garantias extras. Uma auditoria externa ainda está em andamento para avaliar a situação financeira desses papéis. A direção atual do BRB tem como objetivo reposicionar o banco como uma instituição regional, abandonando planos de expansão anteriormente defendidos, o que inclui a fusão com o Banco Master, que foi vetada pelo Banco Central.
Fonte: Oeste












