O governo federal brasileiro está em processo de discussão sobre a implementação de cotas por empresa para a exportação de carne bovina à China, conforme revelou Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura. A reunião está agendada para a próxima quinta-feira (12) e visa atender a um pedido do ministério para evitar uma corrida desenfreada de exportações, especialmente após a China ter imposto uma tarifa de 55% para as importações que excedem a cota estabelecida.
A cota projetada para o Brasil em 2026 é de aproximadamente 1,106 milhão de toneladas, um volume inferior ao total exportado em 2025, que ultrapassou 1,6 milhão de toneladas. A preocupação entre os frigoríficos é evidente, pois a cota pode não atender à demanda crescente do mercado chinês. Rua enfatizou que o ministério está buscando alternativas em conjunto com o setor privado para evitar desorganizações no mercado, defendendo que essa medida não é uma interferência, mas uma forma de organização.
A proposta de cotas já é uma prática existente nas exportações de carne de frango do Brasil para a União Europeia, o que sugere uma tentativa de implementar um sistema similar no setor de carne bovina. Além disso, o presidente da Associação Brasileira dos Frigoríficos (Abrafrigo), Paulo Mustefaga, apoiou a negociação com a China para eliminar a tarifa extra e, caso não fosse possível, a divisão da cota livre de tarifa entre as empresas. A questão dos embarques de carne em trânsito também permanece indefinida, gerando incertezas sobre se esses volumes estarão sujeitos à nova cota. O governo aguarda uma posição clara da China sobre o assunto.
Fonte: G1












