A crença de que o café de qualidade produzido no Brasil é exportado, enquanto o que sobra para o consumo interno é de baixa qualidade, é um mito que não se sustenta mais. Essa narrativa, que teve origem nos anos 1980, não representa a atualidade. Naquela época, a fiscalização da qualidade do café era deficiente, permitindo fraudes como a adição de cevada e milho aos grãos. O governo fixava preços para controlar a inflação, desestimulando a busca por qualidade, pois os produtores direcionavam os melhores grãos para o exterior, onde eram melhor remunerados. No entanto, a mudança começou em 1989, quando a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) assumiu a responsabilidade de regular o setor, exigindo que as empresas produzissem café de alta qualidade. Desde então, o Selo de Pureza da Abic, promovido em campanhas publicitárias, garantiu que apenas grãos 100% puros fossem comercializados. Em 2022, novas regras foram estabelecidas, proibindo a presença de mais de 1% de impurezas nos pacotes de café. A qualidade do café brasileiro tem se elevado continuamente, com um aumento no consumo interno de cafés especiais, que, embora ainda representem uma maior parte das exportações, estão conquistando espaço nas mesas brasileiras. A regulamentação e fiscalização mais rigorosas têm incentivado os agricultores a focarem na qualidade, resultando em um aumento significativo na produção de cafés premiados a nível mundial. Portanto, a ideia de que o café bom vai para fora e o ruim fica no Brasil é uma falácia que deve ser reconhecida e desmistificada.
Fonte: G1












