A Polícia Federal do Brasil conta com tecnologias avançadas que permitem acessar dados de celulares, mesmo que estejam desligados ou sem senha. Ferramentas como o israelense Cellebrite e o americano Greykey são utilizadas para recuperar mensagens e arquivos de dispositivos Android e iPhones, mesmo quando bloqueados. Além dessas, o IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), desenvolvido por peritos da PF em 2012, realiza varreduras em celulares apreendidos e facilita a busca por informações em conversas e arquivos.
Uma parte crucial do processo investigativo é manter o celular em um recipiente que previna a entrada e saída de ondas eletromagnéticas, como uma Gaiola de Faraday. O uso desse recipiente é essencial para evitar que o proprietário do aparelho consiga apagar dados remotamente. Segundo Wanderson Castilho, perito em segurança digital, a preservação do dispositivo é fundamental para garantir a integridade das informações coletadas.
A extração de dados varia conforme a situação do aparelho. Se ele estiver bloqueado, os programas mencionados tentam desbloquear utilizando um cabo USB. Caso o dispositivo esteja desligado ou danificado, a técnica chip off é utilizada, onde componentes internos são desmontados para transferir os dados. O custo anual de licenças para softwares como Greykey e Cellebrite pode chegar a US$ 50 mil (cerca de R$ 270 mil).
O IPED se destaca por sua capacidade de extrair texto de imagens, utilizando um princípio semelhante ao dos radares de trânsito, que transforma fotos de placas em textos. Isso permite que peritos realizem buscas por informações como CPF e valores monetários, acelerando as investigações. Além disso, o programa consegue analisar mensagens apagadas, exceto aquelas com visualização única. Desde 2019, o código-fonte do IPED está disponível na internet, possibilitando que desenvolvedores contribuam para melhorias na ferramenta. A técnica chip off, que envolve desmontar o aparelho para acessar dados cruciais, exemplifica a determinação da PF em utilizar todos os recursos disponíveis para a justiça. A rapidez na extração de informações é vital, já que alguns dados podem ser temporários e se tornarem mais difíceis de acessar com o tempo.
Fonte: G1












