Em entrevista ao Jornal da Oeste, o advogado Fabio Pagnozzi revelou que o governo italiano, sob a liderança da primeira-ministra Giorgia Meloni, pode encerrar a disputa pela extradição da ex-deputada Carla Zambelli. De acordo com ele, o ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio, possui a prerrogativa de decidir sobre a extradição sem a necessidade de justificar sua escolha. Pagnozzi comentou que, embora haja a possibilidade de um processo judicial, o ministro pode optar por aceitar a extradição de Zambelli, uma vez que ele é considerado aliado de Meloni.
A nova audiência no tribunal italiano está agendada para a próxima terça-feira, dia 10. Recentemente, a Corte suspendeu o julgamento após a defesa de Zambelli solicitar formalmente a substituição dos juízes. Essa solicitação atrasou a tramitação do processo, que agora aguarda uma decisão sobre a aceitação da contestação apresentada pela defesa.
Pagnozzi enfatizou que, desde o início, o colegiado demonstrou uma predisposição negativa em relação à ex-deputada, mencionando que a Corte adotou critérios distintos ao avaliar documentos apresentados tanto pela defesa quanto pela Advocacia-Geral da União (AGU). A defesa argumenta que, ao longo do processo, houve uma série de adiamentos, o que levanta questionamentos sobre a imparcialidade dos magistrados.
O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Zambelli a dez anos de prisão por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça. Desde sua saída do Brasil em maio, após a condenação, a ex-deputada, que possui cidadania italiana, apresentou uma carta de renúncia à Câmara dos Deputados três dias após sua cassação. O Ministério da Justiça do Brasil informou às autoridades italianas que, em caso de extradição, a pena de Zambelli seria cumprida na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia. A defesa está utilizando a situação do sistema carcerário brasileiro como um dos principais argumentos contra a extradição, destacando as violações dos direitos humanos na prisão mencionada. Desde o início do processo de extradição, a Justiça italiana já adiou a análise do caso em quatro ocasiões, evidenciando a complexidade e a politicagem envolvidas neste processo.
Fonte: Oeste










