Os Estados Unidos e Israel estão avaliando a possibilidade de explorar as tensões étnicas no Irã como uma estratégia para desestabilizar a República Islâmica. Essa abordagem, que pode parecer atraente para planejadores militares, é repleta de riscos a longo prazo. Atualmente, mais de metade da população do Irã é persa, mas, surpreendentemente, o país de 90 milhões de habitantes não tem enfrentado tantos conflitos étnicos quanto muitos de seus vizinhos. Isso ocorre, em parte, apesar do descontentamento generalizado contra o governo clerical chiita, que recentemente reprimiu de forma brutal os protestos. O regime, que tem mostrado forte resistência a quaisquer formas de dissidência, conseguiu manter uma certa coesão social, apesar das tensões subjacentes. No entanto, a insatisfação popular continua a crescer, e a possibilidade de uma fragmentação étnica se torna uma preocupação. Os planejadores militares dos EUA e de Israel podem ver nisso uma oportunidade, mas é importante considerar que a manipulação de identidades étnicas pode levar a uma escalada de violência e instabilidade. A história tem mostrado que conflitos étnicos podem resultar em consequências devastadoras, não apenas para o país em questão, mas também para a região como um todo. Portanto, qualquer tentativa de explorar essas fissuras deve ser abordada com cautela e uma compreensão profunda das complexidades culturais e históricas do Irã.
Fonte: Al‑Monitor












