O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (2) que planeja recorrer de uma decisão de um tribunal da Califórnia que bloqueou a aplicação de punições contra a empresa de inteligência artificial Anthropic, detentora do assistente Claude, concorrente do ChatGPT. O embate se origina do desejo do governo americano de utilizar a inteligência artificial sem restrições para fins militares, enquanto a Anthropic resiste a essa adoção, especialmente em relação a sistemas de vigilância em massa e armamentos autônomos. Os advogados do Departamento de Justiça dos EUA expressaram a intenção de interpor um recurso, com prazo até 30 de abril para apresentar suas justificativas, conforme estabelecido pelo tribunal responsável pela análise da proibição de punições à empresa. Recentemente, o Departamento de Guerra dos EUA, conhecido como Pentágono, foi impedido pela Justiça de classificar a Anthropic como um risco à cadeia de fornecimentos, uma designação normalmente reservada a empresas de nações adversárias. Além disso, a Justiça anulou uma ordem do ex-presidente Donald Trump que proibia o uso da inteligência artificial da Anthropic por órgãos federais. Apesar dessa ordem, informações do The Wall Street Journal indicam que os EUA utilizaram o Claude em operações militares contra o Irã, onde o assistente auxilia o Exército americano em avaliações de inteligência, identificação de alvos e simulações de cenários de combate. A juíza Rita Lin, que impediu as punições, destacou que as medidas do governo americano pareciam arbitrárias e poderiam causar danos à Anthropic, afirmando que a legislação atual não apoia a ideia de rotular uma empresa americana como adversária apenas por expressar desacordo com o governo. Um alto funcionário do Pentágono chamou a decisão de ‘vergonha’, argumentando que ela prejudicaria a capacidade do secretário de Defesa de conduzir operações militares. A Anthropic, por sua vez, também entrou com um processo no tribunal federal de apelações em Washington, D.C., contestando diferentes aspectos das ações do Pentágono. A empresa recebeu apoio jurídico de várias entidades, incluindo a Microsoft, associações comerciais e líderes militares aposentados.
Fonte: G1












