O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou uma sessão da 1ª Turma para tentar blindar a Corte das crescentes críticas recebidas. Ele afirmou que o tribunal ‘acerta mais do que erra’ e lamentou a falta de ‘moderação, prudência e cuidado’ nas análises externas sobre a atuação dos ministros. Dino, que preside o colegiado, destacou decisões históricas do STF, como a invalidação do chamado ‘orçamento secreto’, considerando a imposição de transparência sobre emendas parlamentares como um exemplo de ‘acerto fundamental’.
Entretanto, a tentativa de Dino de suavizar a imagem do Judiciário ocorre em um momento de intenso isolamento institucional, exacerbado por recentes relatórios da Polícia Federal que revelaram mensagens diretas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso durante uma operação. Além disso, o ministro Dias Toffoli foi forçado a abandonar a relatoria do caso devido a ligações financeiras de sua família com parentes de Vorcaro, levantando sérias suspeitas sobre a relação entre o tribunal e o sistema financeiro.
A fala de Dino contrasta com a opinião pública, que, segundo pesquisa recente, associa o STF ao escândalo do Banco Master. Para 70% dos entrevistados, a credibilidade da Corte está severamente abalada. Enquanto Dino pede ‘prudência’ aos críticos, o país se depara com um elaborado esquema de influência, onde a Polícia Federal já comprovou pagamentos de serviços jurídicos do Banco Master a escritórios ligados a parentes de ministros, como o de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. Ao afirmar que o tribunal ‘acerta mais do que erra’, Dino ignora as evidências que colocam o STF no cerne de uma crise de confiança sem precedentes, em que a percepção de parcialidade supera, na visão da maioria dos brasileiros, os acertos processuais mencionados por ele.
Fonte: Oeste












