Home / Brasil / Gilmar Mendes: A face do cinismo no Judiciário brasileiro

Gilmar Mendes: A face do cinismo no Judiciário brasileiro

Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), se destacou recentemente ao defender a continuidade do polêmico “inquérito das fake news”. Em resposta ao pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para encerrar essa investigação, Mendes não apenas se posicionou a favor de sua permanência, mas a elevou à condição de patrimônio institucional do Brasil. Tal afirmação transforma um mecanismo que deveria ser excepcional em uma conquista civilizatória, enquanto o brasileiro é levado a acreditar que deve agradecer aos juristas por governarem sem a necessidade de voto ou legitimidade.

Em uma manobra ainda mais questionável, Mendes anulou a quebra de sigilo de uma empresa ligada a Dias Toffoli, que havia sido aprovada pela CPI do Crime Organizado. Essa ação mostra uma prática recorrente no Judiciário, onde, ao ser confrontado, o próprio Judiciário redefine as regras do jogo, colocando-se acima de qualquer fiscalização. Ao invés de enfrentar a CPI diretamente, Mendes recorreu a um processo já existente, evitando assim a pressão pública e o escrutínio que poderiam vir de uma investigação parlamentar.

Esse comportamento revela uma lógica de autoproteção corporativa que caracterizou o Judiciário brasileiro nos últimos anos. A “defesa da democracia” virou uma narrativa utilizada para justificar ações que, na verdade, visam proteger interesses pessoais e garantir a impunidade entre os pares. Mendes, ao transformar um expediente de proteção pessoal em uma conquista institucional, expõe a verdadeira face do Judiciário, onde a investigação teme o poder e não o contrário.

No Brasil, já não é mais o poder que teme a investigação; agora, é a investigação que deve temer o poder. As palavras do presidente da Unafisco, que afirmou ser menos perigoso investigar o PCC do que o STF, ganham cada vez mais relevância e mostram a inversão de valores dentro do sistema judiciário.

Fonte: Oeste

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *