A historiadora britânica Eliza Filby, autora do livro ‘Herançocracia’, revela que os jovens com menos de 45 anos têm mais chances de adquirir uma casa com o apoio financeiro dos pais do que com a renda do trabalho. O conceito de ‘herançocracia’ representa uma crítica à meritocracia, sugerindo que a verdadeira chave para o sucesso não é o esforço pessoal, mas sim o acesso ao patrimônio familiar. Filby aponta que a fortuna acumulada pelos baby boomers moldou o sistema econômico atual, afetando diretamente as gerações posteriores, como a geração X e os millennials, e que essa dependência pode se estender à geração Z. Para Filby, o ideal de que o trabalho árduo resulta em recompensas é um mito prejudicial, especialmente quando o acesso à educação superior não garante mais uma vida estável. Ela argumenta que, com a rigidez do sistema educacional, muitas pessoas não têm alternativas viáveis e acabam se endividando. A autora também destaca que o ‘banco da mamãe e do papai’ se tornou uma rede de segurança essencial em um mercado de trabalho disfuncional. No entanto, essa dependência varia entre as classes sociais, afetando mais intensamente os menos favorecidos. Filby conclui que a herançocracia influencia não apenas as finanças, mas também as relações interpessoais e a visão de futuro das novas gerações, levando a uma crescente desilusão com as promessas de progresso social.
Fonte: G1






