Home / Brasil / Imigrantes bolivianos resgatados de condições análogas à escravidão em MG

Imigrantes bolivianos resgatados de condições análogas à escravidão em MG

Recentemente, duas operações realizadas por auditores fiscais da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) resultaram no resgate de 29 imigrantes bolivianos que estavam submetidos a condições de trabalho análogas à escravidão em oficinas de costura em Minas Gerais. Os trabalhadores foram encontrados nos municípios de Betim e Contagem, durante ações que se iniciaram com denúncias anônimas. Essas denúncias revelaram que um cidadão boliviano aliciava seus compatriotas, impondo jornadas extenuantes que se estendiam das 6h da manhã até altas horas da madrugada, e inclusive envolvendo crianças.

Em uma das operações, 16 trabalhadores foram resgatados em uma oficina ligada à marca Lore Confecções, enquanto outras 13 pessoas foram encontradas em condições semelhantes na Lagoa Mundau Indústria e Comércio Atacadista de Roupas, que produz para a marca Anne Fernandes. As investigações apontaram que os trabalhadores não tinham registro em carteira, não recebiam o salário mínimo e enfrentavam jornadas de até 68 horas semanais. Além disso, as condições de trabalho eram precárias, com falta de segurança e higiene.

As marcas envolvidas alegaram não ter conhecimento das irregularidades, mas as auditorias indicaram que havia um controle direto sobre a produção, sugerindo que essas empresas estavam cientes das condições degradantes dos trabalhadores. A Lagoa Mundau, por exemplo, alegou que o fornecedor era autônomo e que não tinha controle sobre a mão de obra, uma justificativa que não absolve a empresa de sua responsabilidade legal. As investigações revelaram um padrão preocupante de exploração da mão de obra imigrante no setor de confecção, com os trabalhadores vivendo nos próprios locais de trabalho e sem direitos trabalhistas. As empresas podem enfrentar sanções severas, incluindo a inclusão na lista de empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, além de possíveis danos morais. A situação evidencia a necessidade de um controle mais rigoroso das práticas trabalhistas e a urgência de medidas para proteger a dignidade dos trabalhadores imigrantes no Brasil.

Fonte: G1

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *