A recente escalada de preços do querosene de aviação (QAV) no Brasil, após o anúncio da Petrobras de um aumento de 54,6%, traz preocupações significativas para os consumidores e o setor aéreo. Desde o início da guerra no Irã, os preços do QAV já subiram 64%. Especialistas alertam que as passagens aéreas podem aumentar até 20% em decorrência desse reajuste, que, segundo a Petrobras, será parcelado ao longo de seis meses, com a primeira parcela prevista para julho. Essa situação se agrava em um cenário onde os custos operacionais das companhias aéreas já são elevados e a segurança jurídica é fragilizada. A política de Paridade de Preço de Importação (PPI) intensifica essa vulnerabilidade, pois os preços no Brasil são atrelados ao mercado internacional, independentemente de uma grande parte do QAV ser produzido localmente. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas informou que o combustível agora representa 45% dos custos totais, um aumento significativo. Em resposta à crise, o governo federal estuda um pacote de ajuda que pode incluir cortes de impostos e linhas de crédito emergenciais. Para os consumidores, antecipar a compra de passagens pode ser uma estratégia prudente, já que a demanda continua alta e a oferta pode ser limitada. No entanto, a recente decisão do STF que suspendeu processos contra companhias aéreas em casos de cancelamentos por força maior, como guerras, adiciona uma camada de incerteza aos direitos dos passageiros. A dependência do Brasil por combustíveis fósseis também levanta questões sobre a necessidade de alternativas sustentáveis, como o biocombustível SAF, que pode ser uma solução a longo prazo para reduzir a vulnerabilidade do setor aéreo brasileiro às oscilações do mercado internacional.
Fonte: G1







