Após mais de um mês de mobilizações e ocupações na área próxima ao terminal portuário da Cargill em Santarém, os indígenas da região do Tapajós, no oeste do Pará, decidiram encerrar seu protesto nesta quarta-feira, 25. Os manifestantes se opunham ao plano do governo Lula (PT) de implementar hidrovias nos rios amazônicos, uma ação que, segundo eles, comprometeria suas terras e modos de vida. Desde 22 de janeiro, o acesso à empresa do agronegócio estava bloqueado, e no último sábado, 21, os indígenas invadiram a área interna do terminal portuário, onde espalharam cartazes em sinal de protesto.
O movimento chegou a contar com 1,2 mil participantes, que exigiam a revogação do Decreto 12.600/2025, que incluía os rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização (PND). Diante da pressão popular, o governo anunciou a revogação do decreto no dia 23 de janeiro, oficializada no Diário Oficial da União em 24 de janeiro, o que levou ao fim das manifestações. O decreto visava autorizar estudos para o transporte hidroviário, alegando ser uma alternativa de baixo impacto ambiental, mas os indígenas criticaram a falta de consulta prévia, conforme exige a legislação.
Alessandra Korap Munduruku, uma das líderes do movimento, destacou que as manifestações surgiram após a publicação do decreto em agosto de 2025. Ela ressalta que a proposta de hidrovias se soma à polêmica da ferrovia Ferrogrão, ambos defendidos pelo governo para facilitar o escoamento do agronegócio, sem a devida consideração às comunidades indígenas afetadas. As manifestações também foram motivadas por uma resposta lenta do governo, que levou os indígenas a intensificarem suas ações, incluindo a invasão da Cargill, mesmo diante de ordens judiciais. Alessandra afirmou: “A gente não veio para cá para ficar com medo de governo, de juiz e de empresas”. O protesto evidencia a necessidade de um diálogo mais efetivo entre o governo e as comunidades indígenas, que se sentem ameaçadas por projetos que afetam diretamente suas terras e modos de vida.
Fonte: Oeste











