A interiorização da indústria brasileira tem se intensificado, com muitas empresas optando por se instalar em cidades do interior ao invés das capitais. Um exemplo é a Heineken, que anunciou a abertura de uma nova fábrica em Passos, Minas Gerais, com um investimento de R$ 2,5 bilhões e a geração de 350 empregos diretos. Essa tendência não é isolada; em 2022, 54,4% dos empregos industriais estavam localizados fora das regiões metropolitanas, um crescimento significativo desde 1985, quando apenas um terço das vagas estava no interior. Os economistas Paulo Morceiro e Milene Tessarin, da USP, destacam que a mudança ocorre em resposta a um aumento nos custos operacionais nas capitais, incluindo altos aluguéis e salários, congestionamentos e dificuldades logísticas. O fenômeno da ‘guerra fiscal’, onde estados e municípios oferecem incentivos fiscais para atrair indústrias, também tem contribuído para essa movimentação, como visto no caso da Heineken que recebeu isenção de R$ 90 milhões em tributos. Contudo, embora a interiorização traga benefícios e oportunidades de emprego, os especialistas alertam que isso não é suficiente para barrar a desindustrialização geral do país, que ainda enfrenta um cenário desafiador. A redução da participação da indústria no emprego formal e o avanço da terceirização e da automação são questões que necessitam de atenção e políticas públicas eficazes para revitalizar o setor e estimular o crescimento econômico no Brasil.
Fonte: G1












