O mercado financeiro demonstrou preocupação nesta segunda-feira, 2, com a possível indicação do economista Guilherme Mello para uma das diretorias do Banco Central. Mello, que atualmente ocupa o cargo de secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, é apoiado pelo ministro Fernando Haddad, que planeja encaminhar as indicações ao Senado antes de deixar o cargo. Essa situação se dá em meio a um contexto delicado, onde o Banco Central enfrenta os desdobramentos do caso Banco Master e se prepara para o início do ciclo de queda da taxa Selic, atualmente em 15% ao ano.
Analistas do mercado interpretam a escolha de Mello como uma tentativa de interferência política do PT na autoridade monetária, o que levanta sérias preocupações sobre a credibilidade da instituição em um momento crítico. Mello possui uma formação heterodoxa e já criticou publicamente a permanência dos juros em níveis elevados. Economistas alertam que sua nomeação poderia prejudicar a credibilidade do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e diminuir a margem para cortes seguros na Selic.
A diretoria de Organização do Sistema Financeiro, cargo vago que Mello poderia ocupar, foi responsável por rejeitar a compra do Banco Master pelo BRB, uma decisão que foi ratificada por unanimidade. A substituição por um nome com viés político gera receios sobre a independência técnica da fiscalização bancária. Além disso, há temores de que a Fazenda pressione por cortes agressivos nos juros, desconsiderando os riscos inflacionários, o que já provoca um movimento de alta nas taxas de juros futuros.
A formalização do convite e a sabatina no Senado ainda são etapas pendentes. Caso a indicação se confirme, o mercado prevê uma deterioração adicional nos preços dos ativos brasileiros, com a perda da autonomia técnica sendo vista como um risco fundamental para o controle da inflação nos próximos anos.
Fonte: Oeste












