O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu prorrogar por mais 20 dias o prazo para que o governo do Rio de Janeiro envie à Polícia Federal (PF) as imagens da Operação Contenção, realizada em outubro nos complexos do Alemão e da Penha. Essa operação, que teve como alvo integrantes do Comando Vermelho, resultou em 122 mortes, sendo 117 suspeitos e cinco policiais. Moraes determinou que todas as gravações captadas durante a operação, bem como as imagens relacionadas aos exames cadavéricos, sejam enviadas à PF para investigação no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como “ADPF das Favelas”. A Polícia Federal terá a responsabilidade de transcrever os registros e elaborar um laudo técnico sobre as evidências coletadas. A decisão também se estende ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que deverá encaminhar o mesmo conjunto de arquivos à PF, conforme determinações anteriores da Corte. Um relatório divulgado pela Polícia Civil revelou que 85% dos mortos na operação tinham antecedentes criminais. Entre os 117 mortos, apenas 18 não possuíam registros de ocorrência, e 36 deles eram conhecidos por tráfico de drogas. O uso excessivo da força e a quantidade de vítimas levantam questões sobre a eficácia das operações policiais e a necessidade de um debate mais amplo sobre a segurança pública no Brasil. É fundamental que as autoridades responsáveis sejam responsabilizadas e que haja uma análise crítica das ações executadas sob o pretexto de combate ao crime organizado.
Fonte: Oeste









