O Ministério Público do Trabalho (MPT) ingressou com uma ação civil pública contra a MBRF, uma produtora de carnes, devido a sérias falhas na proteção de trabalhadoras grávidas em sua unidade em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso. A ação foi motivada por um caso alarmante, onde uma funcionária venezuelana, grávida de oito meses de gêmeas, sofreu um aborto espontâneo dentro da fábrica em abril de 2024. A trabalhadora, que posteriormente processou a empresa e foi indenizada, expôs a necessidade urgente de investigar as condições oferecidas às gestantes na planta. O MPT, após realizar uma investigação abrangente que analisou dados de saúde e documentos de segurança do trabalho da empresa entre 2019 e 2025, identificou 144 registros de aborto ou ameaça de aborto envolvendo 116 empregadas, sendo 77 casos de abortos efetivos. Além disso, foram detectados 113 casos de trabalho de parto prematuro relacionados a 94 funcionárias, assim como 71 atestados médicos associados a condições de saúde que poderiam ser agravadas pela exposição a ruído excessivo. Apesar de a MBRF afirmar que não reconhece os dados apresentados pelo MPT, a situação levantou preocupações significativas quanto à segurança e saúde das gestantes. O MPT está solicitando à Justiça a adoção de medidas urgentes, incluindo o afastamento das gestantes de ambientes de risco, e requerendo R$ 20 milhões por danos morais coletivos. A empresa alega que cumpre as normas de saúde e segurança, mas permanece sob investigação, já que a situação atual das gestantes expostas a condições inadequadas continua sendo um tema crítico que precisa ser abordado imediatamente.
Fonte: G1







