As montadoras brasileiras enfrentam um cenário desafiador, com uma queda expressiva de quase 30% nas exportações de veículos em 2026. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o primeiro bimestre do ano registrou apenas 59,4 mil unidades exportadas, comparadas às 82,4 mil do mesmo período no ano passado, resultando em uma diminuição de 28%. O mercado argentino, que historicamente foi um dos principais destinos das exportações brasileiras, experimentou uma redução nas importações de 15,6 mil para 14,4 mil veículos, o que representa uma queda de 7,5%. Igor Calvet, presidente da Anfavea, expressou preocupação com essa retração, já que a Argentina foi fundamental para o crescimento de 32% nas exportações em 2025. Além disso, o emplacamento de automóveis na Argentina caiu 37% em fevereiro em relação a janeiro, devido às incertezas geradas pelas recentes reformas do presidente Javier Milei. Por outro lado, as exportações para o México tiveram um aumento significativo de 318%, saltando de 2,2 mil para 9,1 mil veículos. No Brasil, as vendas de veículos totalizaram 355,7 mil unidades no primeiro bimestre, apresentando uma leve queda de 0,1% em relação ao ano anterior, embora as vendas de automóveis e comerciais leves tenham registrado um aumento de 1,8%. A taxa Selic elevada continua a ser um obstáculo para a indústria, afetando os investimentos e o poder de compra do consumidor. Calvet destacou que, mesmo com a expectativa de redução da Selic em 2026, os efeitos positivos devem demorar a se manifestar. A guerra no Oriente Médio também levanta preocupações sobre a cadeia de suprimentos, embora ainda não haja sinais de desabastecimento. A situação continua a ser monitorada pelas montadoras no Brasil.
Fonte: G1







