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Redução da jornada de trabalho: é preciso ouvir as mulheres empreendedoras

O governo tem defendido que a proposta de redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e o fim da escala 6×1 trariam benefícios significativos, especialmente para as mulheres. No entanto, uma questão crucial permanece sem resposta: quais mulheres foram consultadas antes de se fazer essa afirmação? Atualmente, o Brasil conta com 10,4 milhões de mulheres empreendedoras, que compõem 34% dos proprietários de negócios no país. Muitas dessas mulheres são mães solo e chefes de família, e para a maioria delas, seus negócios representam a principal fonte de sustento, não apenas uma renda complementar.

Quando se discute a redução da jornada de trabalho, é fundamental lembrar que muitas dessas mulheres não se limitam a ser funcionárias, mas também são empregadoras que gerenciam folhas de pagamento, tributos e capital de giro. Elas operam principalmente em setores que demandam alta mão de obra, como comércio e serviços. Estudos indicam que a redução da jornada pode gerar um custo adicional de R$ 178 bilhões a R$ 267 bilhões por ano na economia, refletindo um impacto médio de cerca de 7% na folha de pagamentos, com setores como a indústria de transformação podendo enfrentar aumentos ainda maiores.

A situação é ainda mais delicada para micro e pequenas empresas, onde os custos podem aumentar proporcionalmente mais, colocando pressão sobre aquelas que já enfrentam desafios como acesso limitado a crédito e altas taxas de juros. A pergunta que persiste é se houve uma análise detalhada do impacto dessa medida nas micro e pequenas empresas lideradas por mulheres e se suas vozes foram ouvidas antes de se afirmar que elas seriam as principais beneficiadas.

Defender melhores condições de trabalho é uma meta legítima, mas é essencial que políticas públicas considerem a realidade econômica das empresárias que sustentam suas famílias. Antes de anunciar quem será beneficiado, é necessário escutar quem será afetado, pois fortalecer as mulheres exige mais do que boas intenções; requer diálogo, dados e responsabilidade econômica.

Fonte: Oeste

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