Marco Lavagna, economista e chefe do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) da Argentina, renunciou ao cargo nesta segunda-feira (2), surpreendendo a todos, especialmente considerando que a nova metodologia de cálculo da inflação seria divulgada em apenas oito dias. Lavagna ocupava a posição desde 2019 e sua saída ocorre em meio a um contexto de mudanças significativas na forma como a inflação é medida no país. Raúl Llaneza, representante dos trabalhadores do Indec, expressou sua indignação, afirmando que a renúncia é extremamente inesperada e exigiu que a instituição mantenha sua independência em relação ao poder político. Lavagna é conhecido por sua proximidade com Sergio Massa, líder da oposição peronista e ex-candidato à presidência, o que levanta questões sobre a influência política em sua saída. Sob sua liderança, o Indec passou a ser visto como um símbolo de transparência e credibilidade, especialmente após o presidente ultraliberal Javier Milei assumir o cargo em dezembro de 2023. A inflação, que chegou a 211,4% em 2023 após a desvalorização do peso, caiu para 31,5% em 2025, o menor índice em oito anos. No entanto, a última medição indicou um aumento de 2,8% nos preços, uma tendência de alta que começou em junho do ano passado. A nova metodologia de cálculo deve ser baseada em dados de renda e gastos das famílias de 2017-2018, ajustando-se às recomendações internacionais e refletindo de forma mais precisa as variações de preços, especialmente em relação a serviços essenciais. A saída de Lavagna ocorre em um momento delicado para o Indec, que já enfrentou várias renúncias devido a conflitos internos e questões salariais.
Fonte: G1












