O Vaticano iniciou, na última segunda-feira, 2, uma importante operação de limpeza no icônico afresco O Juízo Final, do renomado artista Michelangelo. Esta intervenção é a mais significativa realizada na obra desde a controversa restauração concluída em 1994. Equipes especializadas dos Museus do Vaticano montaram andaimes em frente à parede do altar da Capela Sistina, onde a pintura, com 180 metros quadrados, é um dos principais destaques do local. A restauração atual é motivada pela necessidade de combater uma ‘névoa esbranquiçada’ que se formou na superfície da pintura ao longo dos anos, resultado do grande fluxo de visitantes, que chega a 6 milhões anualmente, trazendo poeira e umidade. Mesmo com a instalação de um moderno sistema de filtragem de ar em 2014, partículas minerais se acumularam sobre as figuras bíblicas, prejudicando a visualização da obra. A limpeza é um desafio técnico, pois a camada de sujeira diminui os contrastes dramáticos e homogeneiza a paleta vibrante utilizada por Michelangelo, afetando a tridimensionalidade das mais de 300 figuras que compõem a cena apocalíptica. Diferente das manutenções rotineiras, esta limpeza requer luz natural e um trabalho contínuo, com previsão inicial de três meses, podendo ser prolongada conforme a complexidade. A técnica empregará solventes suaves e água destilada, aplicados com precisão para proteger a camada pictórica original, que foi finalizada em 1541. O Juízo Final, encomendado pelo Papa Clemente VII e concluído sob o pontificado de Paulo III, é uma obra que rompeu com as tradições artísticas da época, apresentando corpos nus em um turbilhão de movimento. A administração do Vaticano decidiu manter a Capela Sistina aberta durante o processo, permitindo que turistas e fiéis acompanhem de perto o trabalho dos restauradores.
Fonte: Oeste







