A defesa de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) sua transferência do Complexo Penitenciário da Papuda para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília. O objetivo é facilitar negociações para um eventual acordo de colaboração premiada, uma estratégia que poderia beneficiar as investigações em andamento relacionadas ao Banco Master. Costa está preso desde 16 de abril, no âmbito da Operação Compliance Zero, e indicou interesse em cooperar com as autoridades, conforme a petição de seus advogados.
Os advogados de Costa argumentam que as condições atuais de custódia na Papuda dificultam o sigilo necessário nas conversas com sua equipe jurídica, o que comprometeria a análise das provas e a formalização do acordo. Eles ressaltam que a colaboração depende da voluntariedade do investigado, da avaliação técnica sobre a utilidade das informações e de uma decisão esclarecida sobre os termos e riscos do acordo, condições que, segundo eles, não podem ser atendidas no atual ambiente prisional.
A defesa ainda pede que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o pedido. Recentemente, a Segunda Turma do STF reafirmou a prisão preventiva de Costa. A possibilidade de sua colaboração gerou apreensão nas defesas de outros investigados, uma vez que ele pode fornecer informações valiosas sobre o funcionamento do esquema sob investigação, que envolve suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
As investigações apuram indícios de um esquema de pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos e falhas de governança que permitiram operações sem garantias adequadas. Costa, que é oficial da reserva das Forças Armadas, reivindica também o direito a uma prisão especial devido à sua patente de segundo-tenente.
O caso também envolve a tentativa de aquisição do Master pelo BRB, uma operação que foi rejeitada pelo Banco Central por falta de viabilidade econômica e risco de transferir passivos excessivos ao banco público. A Polícia Federal investiga se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas do Master e se houve falhas nos processos internos de análise e aprovação dessas operações.
Fonte: Oeste







