A recente elevação de 55% no preço do querosene de aviação (QAV) anunciada pela Petrobras deve gerar um aumento significativo nos preços das passagens aéreas, de acordo com especialistas do setor. Viviane Falcão, professora de Economia dos Transportes Aéreos da Universidade Federal de Pernambuco, recomenda que os viajantes adquiram suas passagens o quanto antes, uma vez que se espera um repasse rápido desse aumento aos consumidores. Com a pressão de preços devido à situação geopolítica, especialmente a crescente tensão entre os Estados Unidos e o Irã, a previsão é que as passagens aéreas possam aumentar entre 15% e 20% nos próximos meses, refletindo diretamente o impacto do preço do barril de petróleo. O querosene de aviação representa aproximadamente um terço dos custos operacionais das companhias aéreas, e esse aumento pode forçar as empresas a reduzir o número de voos, algo já observado em outros países. No Brasil, onde as companhias aéreas estão recuperando o volume de passageiros de 2019, a ocupação média dos assentos já está em cerca de 90%. Isso pode resultar em voos ainda mais lotados, impactando a experiência do viajante. A Petrobras também anunciou condições de pagamento para as distribuidoras que fornecem combustível para a aviação, permitindo que o aumento seja diluído ao longo do tempo. Contudo, essa estratégia levanta preocupações sobre a viabilidade financeira da Petrobras e a continuidade do repasse dos custos. O Ministério de Portos e Aeroportos propôs ações para aliviar a pressão no setor, incluindo a redução de tributos sobre o QAV, o que poderia ajudar a manter a competitividade das companhias aéreas e evitar aumentos excessivos nas tarifas. No entanto, a falta de alternativas viáveis de transporte no Brasil torna a situação ainda mais desafiadora para os viajantes, que podem acabar arcando com os custos de décadas de descaso com o setor aéreo.
Fonte: G1








