A crescente tensão entre Colômbia e Equador ganhou um novo capítulo com a decisão do governo equatoriano de estabelecer uma tarifa de 100% sobre produtos colombianos. Em resposta, o presidente colombiano, Gustavo Petro, determinou o retorno imediato da embaixadora María Antonia Velasco, evidenciando o desagrado em relação às medidas adotadas por Quito. O presidente equatoriano, Daniel Noboa, justificou o aumento das tarifas como uma reação à inação da Colômbia na segurança da fronteira de 600 km, uma área marcada por atividades ilícitas como tráfico de drogas e armas. Noboa mencionou que o fortalecimento da segurança na região exigirá um investimento adicional de US$ 400 milhões. Petro, por sua vez, chamou a decisão equatoriana de ‘monstruosidade’ e questionou a relevância dos acordos comerciais regionais. Ele convocou uma reunião com ministros na fronteira e sinalizou a possibilidade de retirar a Colômbia da Comunidade Andina de Nações, enquanto expressou interesse em estreitar laços com o Mercosul. As divergências entre Noboa, alinhado ao conservadorismo e aos Estados Unidos, e Petro, de esquerda, têm sido frequentes, com o presidente colombiano defendendo a libertação do ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, condenado por corrupção. As tensões na fronteira se intensificaram, com acusações mútuas entre os dois países. As autoridades colombianas relataram que uma operação de segurança do Equador resultou na morte de 14 pessoas em área próxima à fronteira, enquanto o governo equatoriano argumenta que a ação ocorreu em seu território. A disputa comercial também se agravou, com o Equador elevando tarifas de 30% em janeiro para 50% em fevereiro, chegando agora a 100%. Em retaliação, a Colômbia suspendeu o fornecimento de energia elétrica ao Equador, caracterizando a decisão equatoriana como uma ‘agressão clara’. Empresários colombianos alertam que a tarifa de 100% pode inviabilizar as relações comerciais bilaterais, uma vez que o Equador depende fortemente da Colômbia para a importação de produtos essenciais como medicamentos e pesticidas.
Fonte: Oeste







