A proporção de famílias brasileiras com dívidas subiu para 80,9% em abril de 2026, marcando um recorde histórico conforme dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O aumento de 0,5 ponto percentual em relação a março, que era de 80,4%, representa o quarto mês consecutivo em que este índice atinge um patamar elevado. O cartão de crédito continua sendo a principal fonte de endividamento entre os brasileiros, com taxas de juros altas, seguido por carnês de lojas e crédito pessoal.
Esse crescimento no endividamento ocorre em um contexto em que o governo, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se prepara para lançar o programa Desenrola 2.0, destinado à renegociação de dívidas. O programa anterior, lançado em 2024, contou com a participação de aproximadamente 15 milhões de pessoas, mostrando a necessidade de uma solução para o crescente problema das dívidas no Brasil.
Em um cenário de desgaste da popularidade do governo, com uma desaprovação de 61% segundo o portal Poder360, as preocupações com o endividamento das famílias se tornam ainda mais urgentes. Os dados da CNC também indicam um aumento na inadimplência, com 29,7% das famílias apresentando contas em atraso, uma elevação em relação aos 29,1% do ano anterior. Além disso, 12,3% das famílias afirmam não ter condições de quitar suas dívidas vencidas.
O endividamento também se espalhou por todas as faixas de renda, com 83,6% das famílias que ganham até três salários mínimos apresentando dívidas. As projeções da CNC indicam que esse cenário de endividamento deverá continuar pressionado nos próximos meses, especialmente diante da expectativa de aumento na Selic e da inflação de itens essenciais. O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, alerta que a percepção atual é de que a redução das taxas de juros será mais lenta do que o esperado, o que pode manter os níveis de endividamento elevados por um período prolongado.
Fonte: Oeste








