O governo dos Estados Unidos anunciou que pagará uma recompensa de até US$ 1 milhão a quem fornecer informações sobre frigoríficos que estão sendo investigados por práticas comerciais abusivas. Entre os alvos da investigação estão a JBS e a National Beef, empresa controlada pela Marfrig nos Estados Unidos, além das americanas Cargill e Tyson Foods. A operação foi iniciada a pedido do presidente Donald Trump, que acusou essas empresas de aumentarem os preços da carne bovina mediante conluio ilícito. Desde 1980, a participação das quatro empresas no mercado de gado nos EUA saltou de um terço para mais de 80%, segundo dados do governo. O Departamento de Justiça está analisando mais de 3 milhões de documentos e coletando depoimentos de centenas de pessoas do setor. A recompensa oferecida será de 15% a 30% do valor das multas que as empresas podem receber, que devem ultrapassar US$ 1 milhão. A Marfrig, por sua vez, defende que respeita as leis de concorrência e que a National Beef opera em parceria com 700 produtores locais. A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, expressou preocupações sobre a propriedade estrangeira dos grandes processadores de carne, alegando um histórico de corrupção e práticas ilícitas. Além disso, o Ministério Público do Trabalho do Pará pediu a condenação da JBS por trabalho análogo à escravidão, mas a empresa afirmou não ter sido notificada sobre as alegações. A situação atual do mercado de carne nos EUA é preocupante, com os estoques de gado em níveis históricos baixos devido a secas prolongadas e restrições de importação. Apesar de serem grandes produtores, os EUA ainda necessitam importar carne para atender à demanda dos consumidores, que continua firme, elevando os preços. Recentemente, a JBS anunciou o fechamento de uma fábrica na Califórnia, e a Tyson Foods também fechou uma unidade importante em Nebraska, resultando na perda de milhares de empregos. Essas movimentações no setor geraram insatisfação entre pecuaristas americanos, especialmente após Trump sugerir a importação de carne bovina da Argentina para reduzir preços.
Fonte: G1












