Almir Pazzianotto, ex-ministro do Trabalho e ex-presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), manifestou sua crítica à divisão ideológica que permeia a Corte, considerando-a extremamente nociva. Em entrevista ao programa ‘Oeste Sem Filtro’, Pazzianotto comentou as recentes declarações do atual presidente do tribunal, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, que se autodenominou ‘vermelho’. O jurista afirmou que, durante sua atuação como advogado e ministro, nunca presenciou essa separação entre magistrados, que considera injusta e irreal. Segundo ele, a tentativa de classificar juízes entre ‘vermelhos’ e ‘azuis’ não possui critérios sustentáveis. “A Constituição não é vermelha, tampouco azul”, enfatizou Pazzianotto, ressaltando que o texto constitucional estabelece bases claras para as relações de trabalho, reconhecendo a iniciativa privada e a proteção ao trabalhador. Ele criticou ainda o funcionamento da Justiça do Trabalho, apontando a alta demanda de processos como um desafio que compromete a análise individual de cada caso. Pazzianotto destacou que a concessão ampla de justiça gratuita tem incentivado a entrada de reclamações sem fundamento, contribuindo para a sobrecarga do sistema. Também expressou preocupação com a resistência de parte da magistratura às mudanças no mercado de trabalho, como a terceirização e novos modelos de prestação de serviços, que são essenciais para a adaptação às demandas atuais. O jurista, que ocupou a presidência do TST entre 2000 e 2002, reforçou a importância de superar essa divisão ideológica para garantir a imparcialidade e eficiência da Justiça do Trabalho.
Fonte: Oeste












